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SINAIS MÁGICOS

segunda-feira, 11 de julho de 2011

HISTORICISMO: O CONFLITO DO CONGRESSO DE MILÃO 1880 Por Prof. Karin Strobel

Esta história dos surdos é uma decepção, simplesmente reinvocando e reescrevendo a dominação e a exclusão que têm mais freqüentemente sido conhecidas como os “marcadores” da experiência histórica das pessoas surdas (Wrigley, 1996) Nenhuma outra ocorrência na história da educação de surdos teve um
grande impacto nas vidas e na educação dos povos surdos. Houve a tentativa de fazer da língua de sinais em extinção. Em 6 até 11 de setembro de 1880, houve um congresso internacional de educadores surdos em cidade de Milão na Itália. Neste congresso, foi feita uma votação proibindo oficialmente a língua dos sinais na educação de surdos. Este congresso foi organizado, patrocinado e conduzido por muitos especialistas ouvintistas, todos defensores do oralismo puro. Do total de 164 delegados, 56 eram oralistas franceses e 66 eram oralistas italianos; assim, havia 74% de oralistas da França e da Itália. Alexander Grahan Bell teve grande influência neste congresso. Os únicos países contra a proibição eram os Estados Unidos e Grã-
Bretanha, havia professores surdos também, mas as suas ‘vozes’ não foram ouvidas e excluídas de seus direitos de votarem. Vejam as seguintes oito definições que foram declaradas e votadas durante o Congresso, que mudou drasticamente toda a história de surdos. Definição 1 Considerando em exceção de preferência de sinais do que de fala ao integrar o surdo-mudo à sociedade, e em dar-lhe um conhecimento melhor da língua, Declara: Que o método oral deve ser preferido do que a de língua de sinais para o ensino e na educação dos surdos-mudos. 160 votação a favor e 4 contra em 7/9/1880.
Definição 2 Considerando que o uso simultâneo da fala e de língua de sinais tem a desvantagem de prejudicar a fala, a leitura labial e a precisão das idéias, Declara: Que o método oral puro deve ser preferido. 150 votação a favor e 16 contra em 9/9/1880.
Definição 3 Considerando que um grande número de surdos-mudos não estão recebendo os benefícios da educação, e que esta circunstância é devida à ineficácia das famílias e das instituições, Recomenda:
que os governos tomem as medidas necessárias para que todos os surdos-mudos possam receber educação.
Votação a favor unanimemente em 10/9/1880.
Definição 4 Considerando-se que o ensino ao surdo oralizado pelo Método Oral Puro deve se assemelhar tanto quanto possível ao ensino daqueles que ouvem e falam, Declara: a) Que o meio mais natural e mais eficaz através do qual o surdo oralizado pode adquirir o conhecimento da língua é o método “intuitivo”, o qual consiste em expressar-se primeiramente pela fala, e em seguida através da escrita, os objetos e os fatos que são colocados diante dos olhos dos alunos.
b) Que no período inicial, ou maternal, o surdo-mudo deve ser conduzido à observação de formas gramaticais por meio de exemplos e de exercícios práticos, e no segundo período ele deve receber auxílio para deduzir as regras gramaticais a partir dos exemplos, expressadas com o máximo de simplicidade e clareza.
c) Que os livros, escritos com palavras e em formas lingüísticas familiares aos alunos, estejam sempre  acessíveis. Aprovado em 11/09/1880.
Definição 5 Considerando-se a carência de livros elementares o suficiente para auxiliar no desenvolvimento gradual e progressivo da língua,  Recomenda: Que os professores do sistema oral devem se dedicar à publicação de obras especiais sobre o assunto. Aprovado em 11/09/1880.
Definição 6 Considerando-se os resultados obtidos por meio de várias pesquisas realizadas a respeito de surdos-mudos de todas as idades e condições que haviam se evadido da escola há muito tempo, e que quando tinham de responder a perguntas sobre diversos assuntos, responderam corretamente, com clareza de articulação suficiente e conseguiram ler os lábios de seus interlocutores com grande facilidade, Declara:
a) Que os surdos-mudos ensinados pelo método oral puro não se esquecem, após ter deixado a escola, os conhecimentos que lá adquiriram, mas os desenvolvem continuamente através das conversação e da leitura, quando estas são facilitadas.
b) Que em sua conversação com pessoas ouvintes, os surdos-mudos fazem uso exclusivo da fala.
c) Que a fala e a leitura labial, muito longe de terem sido abandonadas, são desenvolvidas através de prática.
Aprovado em 11/09/1880..
Definição 7 Considerando-se que o ensino de surdos-mudos através da fala tem exigências peculiares;  considerando-se também que a experiência dos professores de surdos-mudos é quase unânime, Declara:
a) Que a idade mais favorável para admitir uma criança surda na escola é entre oito e dez anos.
b) Que o período letivo deve ter ao menos sete anos; mas preferencialmente oito anos.
c) Que nenhum professor pode ensinar um grupo de mais de dez crianças no método oral puro. Aprovado em 11/09/1880.
Definição 8 Considerando-se que a aplicação do método oral puro nas instituições onde ele ainda não esta em pleno funcionamento, deve ser - para evitar um fracasso do contrário inevitável - prudente, gradual, progressiva. Recomenda:
a) Que os alunos com ingresso recente nas escolas devem formar um grupo em si, onde o ensino poderia ser ministrado através da fala.
b) Que estes alunos devem absolutamente ser separados de outros alunos que tiveram defasagem no ensino através da fala, e cuja educação será finalizada através de sinais.
c) Que um novo grupo oralizado seja estabelecido todos os anos, e que todos os alunos antigos que
foram ensinados por sinais terminem sua educação. Aprovado em 11/09/1880.
Obviamente vocês já perceberam que a causa do oralismo puro já era vitoriosa, por causa do número de presentes de sujeitos ouvintistas; assim demonstrou-se que o triunfo do oralismo puro já estava determinado antes mesmo de o congresso iniciar. O que aconteceu depois? Após o congresso, a maioria dos países adotou rapidamente o método oral nas escolas para surdos, proibindo oficialmente a língua de sinais, decaiu
muito o número de surdos envolvidos na educação de surdos. Em 1960, nos Estados Unidos, eram somente 12% os professores surdos como o resto do mundo. Em conseqüência disto, a qualidade da educação dos surdos diminuiu e as crianças surdas saíam das escolas com qualificações inferiores e habilidades
sociais limitadas. Ali começou uma longa e sofrida batalha do povo surdo para defender o seu direito lingüístico cultural, as associações dos surdos se uniram mais, os povos surdos que lutam para evitar a extinção das suas línguas de sinais.

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