Não estamos aqui apenas para `fatura`...queremos muito mais que isso. Buscamos divulgar uma Comunidade, uma Cultura....que busca viver plenamente como cidadãos. Os Surdos tem uma Língua visuo-espacial; enquanto os ouvintes usam a voz, ou seja, uma língua oral, os Surdos utilizam as mão para comunicarem-se. Não existe nenhuma diferença, além da citada a cima, entre estas línguas. Ambas tem estruturas próprias e são estudadas pela gramática e pela linguística.
Queremos o respeito e a verdadeira inclusão das pessoas Surdas.
Relacionamentos positivos e de sucesso sempre é possível! Como melhorar a relação? Como obter sucesso na vida? Aqui você pode descobrir...
SINAIS MÁGICOS
quarta-feira, 13 de julho de 2011
SINAIS MÁGICOS: Professores
SINAIS MÁGICOS: Professores: "Estou inconformada com a falta de respeito para com os professores do estado de SC. Interessante os pais e alunos quererem aula (apoio); mas..."
Professores
Estou inconformada com a falta de respeito para com os professores do estado de SC. Interessante os pais e alunos quererem aula (apoio); mas pq não saíram em prol dos professores? Está sendo preciso ficar mais de 50 dias parados para chamar a tenção... Enquanto um concurso para Técnico Administrativo com ensino médio tem um salário inicial de mais de R$2 mil, os concursos para professores, com ensino superior o inicial é de R$ 800,00 em média. Até qdo isso vai continuar sem q a população se mobilize e apoie esta classe tão importante e necessária???? Estou indignada com a falta de respeito com os professores.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Língua Brasileira de Sinais I Por Ronice Muller de Quadros, Aline Lemos Pizzio e Patrícia Luiza Ferreira Rezende
Propriedades das línguas e das línguas de sinais
Veja porque as línguas de sinais apresentam as propriedades das línguas humanas:
Propriedades das línguas humanas nas línguas de sinais
Flexibilidade e versatilidade
As línguas apresentam várias
possibilidades de uso em diferentes
contextos.
As línguas de sinais são usadas para pensar, são
usadas para desempenhar diferentes funções.
Você pode argumentar em sinais, pode fazer
poesia em sinais, pode simplesmente informar,
pode persuadir, pode dar ordens, fazer perguntas
em sinais.
Glosas em LIBRAS:
VOCÊ GOSTAR MAÇÃ.
VOCÊsn
IX CASA DEFEITO EU PRECISO ARRUMAR
< PROJETO >to AULA EU APRESENTAR
Arbitrariedade
A palavra (signo lingüístico) é
arbitrária porque é sempre uma
convenção reconhecida pelos falantes
de uma língua.
As línguas de sinais apresentam palavras em que
não há relação direta entre a forma e o
significado.
Glosas em LIBRAS:
CONHECER
AMIGO
TRABALHO
Descontinuidade
Diferenças mínimas entre as palavras e
os seus significados são
descontinuados por meio da
distribuição que apresentam nos
diferentes níveis lingüísticos.
Na língua de sinais verificamos o caráter
descontínuo da diferença formal entre a forma e
o significado. Há vários exemplos que ilustram
isso, por exemplo, o sinal de MORENO e de
SURDO são realizados na mesma locação, com a
mesma configuração de mão, mas com uma
pequena mudança no movimento, mesmo assim
nunca são confundidos ao serem produzidos em
um enunciado. Tais sinais apresentam uma
distribuição semântica que não permite a
confusão entre os significados apresentados
dentro de um determinado contexto.
Glosas em LIBRAS:
TRABALHO
VIDEO-CASSETE
TV
MORENO-SURDO
2 Tradução realizada por Ronice Muller de Quadros. ASL é a abreviatura da língua de sinais americana.
Criatividade/produtividade Você
pode dizer o que quiser e de muitas
formas uma determinada informação
seguindo um conjunto finito de regras.
A partir desse conjunto, você pode
produzir uma sentença infinita nas
línguas humanas.
As línguas de sinais são produtivas assim como
quaisquer outras línguas.
Glosas em LIBRAS:
EU AMAR GISELE PORQUE ELA BONITA,
LEGAL, ESPECIAL, 1AJUDAR2, GOSTAR
TRABALHAR, INTELIGENTE ....
Dupla articulação
As línguas humanas apresentam duas
articulações: a primeira é das unidades
menores sem significado e a segunda,
das unidades que combinadas formam
unidades com significado.
As línguas de sinais também apresentam o nível
da forma e o nível do significado. Por exemplo,
as configurações por si só não apresentam
significado, mas ao serem combinadas formam
sinais que significam alguma coisa.
Exemplos em LIBRAS:
CM sem significado
L sem significado
M sem significado
CM+L+M = significado (L+bochecha+semicírculo
para trás)
Padrão
As línguas têm um conjunto de regras
compartilhadas por um grupo de
pessoas.
As línguas de sinais são altamente restringidas
por regras. Você não pode produzir os sinais de
qualquer jeito ao usar a língua de sinais
brasileira, por exemplo. Você deve observar suas
regras.
Exemplo em LIBRAS:
Obedecer às regras de formação de sinais e de
sentenças.
(ajudar com CM S – mostrar exemplos de sinais
com CM errada, ou L errada, ou M errado)
Dependência estrutural
Há uma relação estrutural entre os
elementos da língua, ou seja, eles não
podem ser combinados de forma
aleatória.
Também é observada uma dependência estrutural
entre os termos produzidos nas línguas de sinais.
Glosas em LIBRAS:
PAULO TRABALHAR+asp
*TRABALHAR+asp PAULO
SINAL BRASIL
*BRASIL SINAL
Veja porque as línguas de sinais apresentam as propriedades das línguas humanas:
Propriedades das línguas humanas nas línguas de sinais
Flexibilidade e versatilidade
As línguas apresentam várias
possibilidades de uso em diferentes
contextos.
As línguas de sinais são usadas para pensar, são
usadas para desempenhar diferentes funções.
Você pode argumentar em sinais, pode fazer
poesia em sinais, pode simplesmente informar,
pode persuadir, pode dar ordens, fazer perguntas
em sinais.
Glosas em LIBRAS:
VOCÊ GOSTAR MAÇÃ.
VOCÊ
IX CASA DEFEITO EU PRECISO ARRUMAR
< PROJETO >to AULA EU APRESENTAR
Arbitrariedade
A palavra (signo lingüístico) é
arbitrária porque é sempre uma
convenção reconhecida pelos falantes
de uma língua.
As línguas de sinais apresentam palavras em que
não há relação direta entre a forma e o
significado.
Glosas em LIBRAS:
CONHECER
AMIGO
TRABALHO
Descontinuidade
Diferenças mínimas entre as palavras e
os seus significados são
descontinuados por meio da
distribuição que apresentam nos
diferentes níveis lingüísticos.
Na língua de sinais verificamos o caráter
descontínuo da diferença formal entre a forma e
o significado. Há vários exemplos que ilustram
isso, por exemplo, o sinal de MORENO e de
SURDO são realizados na mesma locação, com a
mesma configuração de mão, mas com uma
pequena mudança no movimento, mesmo assim
nunca são confundidos ao serem produzidos em
um enunciado. Tais sinais apresentam uma
distribuição semântica que não permite a
confusão entre os significados apresentados
dentro de um determinado contexto.
Glosas em LIBRAS:
TRABALHO
VIDEO-CASSETE
TV
MORENO-SURDO
2 Tradução realizada por Ronice Muller de Quadros. ASL é a abreviatura da língua de sinais americana.
Criatividade/produtividade Você
pode dizer o que quiser e de muitas
formas uma determinada informação
seguindo um conjunto finito de regras.
A partir desse conjunto, você pode
produzir uma sentença infinita nas
línguas humanas.
As línguas de sinais são produtivas assim como
quaisquer outras línguas.
Glosas em LIBRAS:
EU AMAR GISELE PORQUE ELA BONITA,
LEGAL, ESPECIAL, 1AJUDAR2, GOSTAR
TRABALHAR, INTELIGENTE ....
Dupla articulação
As línguas humanas apresentam duas
articulações: a primeira é das unidades
menores sem significado e a segunda,
das unidades que combinadas formam
unidades com significado.
As línguas de sinais também apresentam o nível
da forma e o nível do significado. Por exemplo,
as configurações por si só não apresentam
significado, mas ao serem combinadas formam
sinais que significam alguma coisa.
Exemplos em LIBRAS:
CM sem significado
L sem significado
M sem significado
CM+L+M = significado (L+bochecha+semicírculo
para trás)
Padrão
As línguas têm um conjunto de regras
compartilhadas por um grupo de
pessoas.
As línguas de sinais são altamente restringidas
por regras. Você não pode produzir os sinais de
qualquer jeito ao usar a língua de sinais
brasileira, por exemplo. Você deve observar suas
regras.
Exemplo em LIBRAS:
Obedecer às regras de formação de sinais e de
sentenças.
(ajudar com CM S – mostrar exemplos de sinais
com CM errada, ou L errada, ou M errado)
Dependência estrutural
Há uma relação estrutural entre os
elementos da língua, ou seja, eles não
podem ser combinados de forma
aleatória.
Também é observada uma dependência estrutural
entre os termos produzidos nas línguas de sinais.
Glosas em LIBRAS:
PAULO TRABALHAR+asp
*TRABALHAR+asp PAULO
SINAL BRASIL
*BRASIL SINAL
Língua Brasileira de Sinais I Por Ronice Muller de Quadros, Aline Lemos Pizzio e Patrícia Luiza Ferreira Rezende
LÍNGUA DE SINAIS É LÍNGUA
Texto obrigatório para a análise deste conteúdo:
QUADROS, R. M. de & KARNOPP, L. Língua de sinais brasileira: estudos
lingüísticos. ArtMed. Porto Alegre. 2004 – Capítulo 1
Quadros e Karnopp (2004:29-30) apresentam alguns autores que, depois de
Stokoe, reconheceram a língua de sinais no contexto das investigações lingüísticas,
conforme segue no quadro abaixo:
Hoje há uma quantidade razoável de investigações na área da lingüística, não apenas sobre a
estrutura, mas também sobre a aquisição, o uso e o funcionamento dessas línguas. Ao
discutir sobre a interface “articulatório-perceptual”, Chomsky (1995) reconhece tais
investigações:
A concepção de que a articulação e a percepção envolvem a mesma interface
(representação fonética) é controversa, os problemas obscuros relacionados à
interface C-I (conceptual-intencional) é ainda mais. O termo “articulatório” é tão
restrito que sugere que a faculdade da linguagem apresenta uma modalidade
específica, com uma relação especial aos órgãos vocais. O trabalho nos últimos
anos em língua de sinais evidencia que essa concepção é muito restrita. Eu
continuarei a usar o termo, mas sem quaisquer implicações sobre a especificidade
do sistema de output, mantendo o caso das línguas faladas. (Chomsky, 1995:434,
nota de rodapé 41)
Além disso, Saussure, citando Whitney, discute a questão articulatório-perceptual quando
refere:
(…) para Whitney, que considera a língua uma instituição social da mesma espécie
que todas as outras, é por acaso e por simples razões de comodidade que nos
servimos do aparelho vocal como instrumento da língua; os homens poderiam
também ter escolhido o gesto e empregar imagens visuais em lugar de imagens
acústicas. (Saussure, [1916] 1995, p. 17)
Mais adiante, Saussure coloca:
No ponto essencial, porém, o lingüista norte-americano nos parece ter razão: a
língua é uma convenção e a natureza do signo convencional é indiferente. A
questão do aparelho vocal se revela, pois, secundária no problema da linguagem.
(Saussure [1916] 1995, p. 18)
As línguas de sinais passam a integrar o contexto dos estudos lingüísticos. Ainda
destacamos as palavras de Ray Jackendoff, lingüista reconhecido nos estudos das
línguas no campo da sintaxe e da semântica:
A coisa mais importante que eu quero destacar é que ASL é uma língua. Claro, ela
parece ser completamente diferente de outras línguas já conhecidas como o inglês, o
russo e o japonês. Isso significa que a transmissão não é através do trato vocal
criando sinais acústicos que são detectados pelo interlocutor por meio da audição.
1 Tradução feita pelas autoras Quadros e Karnopp (2004).
Ao invés disso, os gestos do sinalizador criam sinais que são detectados pelo
interlocutor por meio do sistema visual. (…) O sistema periférico é diferente, mas a
atividade inerente é a mesma2.
(Jackendoff, 1994:83)
Texto obrigatório para a análise deste conteúdo:
QUADROS, R. M. de & KARNOPP, L. Língua de sinais brasileira: estudos
lingüísticos. ArtMed. Porto Alegre. 2004 – Capítulo 1
Quadros e Karnopp (2004:29-30) apresentam alguns autores que, depois de
Stokoe, reconheceram a língua de sinais no contexto das investigações lingüísticas,
conforme segue no quadro abaixo:
Hoje há uma quantidade razoável de investigações na área da lingüística, não apenas sobre a
estrutura, mas também sobre a aquisição, o uso e o funcionamento dessas línguas. Ao
discutir sobre a interface “articulatório-perceptual”, Chomsky (1995) reconhece tais
investigações:
A concepção de que a articulação e a percepção envolvem a mesma interface
(representação fonética) é controversa, os problemas obscuros relacionados à
interface C-I (conceptual-intencional) é ainda mais. O termo “articulatório” é tão
restrito que sugere que a faculdade da linguagem apresenta uma modalidade
específica, com uma relação especial aos órgãos vocais. O trabalho nos últimos
anos em língua de sinais evidencia que essa concepção é muito restrita. Eu
continuarei a usar o termo, mas sem quaisquer implicações sobre a especificidade
do sistema de output, mantendo o caso das línguas faladas. (Chomsky, 1995:434,
nota de rodapé 41)
Além disso, Saussure, citando Whitney, discute a questão articulatório-perceptual quando
refere:
(…) para Whitney, que considera a língua uma instituição social da mesma espécie
que todas as outras, é por acaso e por simples razões de comodidade que nos
servimos do aparelho vocal como instrumento da língua; os homens poderiam
também ter escolhido o gesto e empregar imagens visuais em lugar de imagens
acústicas. (Saussure, [1916] 1995, p. 17)
Mais adiante, Saussure coloca:
No ponto essencial, porém, o lingüista norte-americano nos parece ter razão: a
língua é uma convenção e a natureza do signo convencional é indiferente. A
questão do aparelho vocal se revela, pois, secundária no problema da linguagem.
(Saussure [1916] 1995, p. 18)
As línguas de sinais passam a integrar o contexto dos estudos lingüísticos. Ainda
destacamos as palavras de Ray Jackendoff, lingüista reconhecido nos estudos das
línguas no campo da sintaxe e da semântica:
A coisa mais importante que eu quero destacar é que ASL é uma língua. Claro, ela
parece ser completamente diferente de outras línguas já conhecidas como o inglês, o
russo e o japonês. Isso significa que a transmissão não é através do trato vocal
criando sinais acústicos que são detectados pelo interlocutor por meio da audição.
1 Tradução feita pelas autoras Quadros e Karnopp (2004).
Ao invés disso, os gestos do sinalizador criam sinais que são detectados pelo
interlocutor por meio do sistema visual. (…) O sistema periférico é diferente, mas a
atividade inerente é a mesma2.
(Jackendoff, 1994:83)
Língua Brasileira de Sinais I Por Ronice Muller de Quadros, Aline Lemos Pizzio e Patrícia Luiza Ferreira Rezende
As expressões faciais nas línguas de sinais
Para os usuários de línguas de sinais, as expressões faciais têm duas funções
distintas: expressar emoções (assim como nas línguas faladas) e marcar estruturas
gramaticais específicas (como orações relativas), servindo para distinguir funções
lingüísticas, uma característica única das línguas de modalidade visual-espacial.
A existência de duas classes diferentes de funções de expressão facial levanta
questionamentos acerca do controle neural da linguagem e de funções não-lingüísticas.
A observação de padrões neurais de expressões faciais para diferentes funções,
lingüística e afetiva, fornece uma perspectiva de determinantes para a especialização
dos hemisférios cerebrais.
As marcas lingüísticas e afetivas das expressões faciais se diferem na ASL de
várias maneiras. Existem pelo menos quatro distinções essenciais entre esses dois tipos
de expressão facial que marcam o uso diferente de uma mesma musculatura facial. São
elas:
(a) rápido início e compensação da ativação do músculo: as expressões faciais afetivas
são inconstantes e inconsistentes nos seus padrões de início e de compensação. Em
oposição, as expressões faciais lingüísticas na ASL são claras, rápidas e específicas em
seus padrões;
(b) músculos faciais individualizados: as expressões afetivas são globais e fazem uso de
um conjunto de músculos faciais, enquanto as expressões faciais gramaticais podem
escolher músculos faciais individuais que nunca são individualizados numa expressão
normal de emoção;
(c) escopo lingüístico: expressões afetivas podem ocorrer tanto antes como depois de
uma produção lingüística e não estão necessariamente associadas a um evento
lingüístico específico. Já as expressões faciais gramaticais estão intimamente ligadas
aos sinais manuais. O escopo da expressão lingüística facial demarca fronteiras
gramaticais pontuais.
(d) obrigatoriedade: as marcas lingüísticas faciais para a função específica a que
pertencem (orações relativas ou condicionais, por exemplo) são requeridas na ASL,
enquanto que a marca manual é opcional.
Sendo assim, o comportamento facial lingüístico na ASL constitui um conjunto
limitado de comportamentos categóricos ou discretos no qual componentes, escopo e
forma são regras governadas e impostas pelos requisitos do sistema lingüístico. Já os
comportamentos faciais afetivos são contínuos, mostrando larga variação ao longo de
todos estes parâmetros.
Serão relatados a seguir, os resultados de dois estudos sobre a produção de
expressões faciais em indivíduos surdos. No primeiro estudo, o interesse dos
pesquisadores era verificar se sinalizantes surdos mostravam assimetrias expressivas
similares em ambas as expressões faciais (lingüísticas e afetivas). Assim, avaliadores
ouvintes, sem familiaridade com língua de sinais, julgaram a expressividade e
intensidade dos dois tipos de expressões faciais através de composição de fotos de
sinalizantes exibindo tais expressões. No segundo estudo, foi examinada a produção de
expressões faciais em sinalizantes surdos lesionados cerebrais, tanto do hemisfério
esquerdo como do direito, para especificar os padrões das funções danificadas.
Em conjunto, estes estudos fornecem evidências de um controle hemisférico
diferente para a produção de expressões faciais em sinalizantes da ASL. Assim, os
dados indicam que para sinalizantes surdos as expressões faciais afetivas parecem ser
primariamente mediadas pelo hemisfério direito, enquanto as expressões faciais
lingüísticas envolvem a mediação do hemisfério esquerdo. Isto representa um resultado
importante, já que um único sistema muscular está envolvido em dois tipos
funcionalmente distintos de expressões faciais. Para as pessoas ouvintes, o hemisfério
direito parece ser o predominante para expressões faciais, mas para indivíduos surdos, a
especialização dos hemisférios é influenciada pelos propósitos a que servem os sinais.
Para os usuários de línguas de sinais, as expressões faciais têm duas funções
distintas: expressar emoções (assim como nas línguas faladas) e marcar estruturas
gramaticais específicas (como orações relativas), servindo para distinguir funções
lingüísticas, uma característica única das línguas de modalidade visual-espacial.
A existência de duas classes diferentes de funções de expressão facial levanta
questionamentos acerca do controle neural da linguagem e de funções não-lingüísticas.
A observação de padrões neurais de expressões faciais para diferentes funções,
lingüística e afetiva, fornece uma perspectiva de determinantes para a especialização
dos hemisférios cerebrais.
As marcas lingüísticas e afetivas das expressões faciais se diferem na ASL de
várias maneiras. Existem pelo menos quatro distinções essenciais entre esses dois tipos
de expressão facial que marcam o uso diferente de uma mesma musculatura facial. São
elas:
(a) rápido início e compensação da ativação do músculo: as expressões faciais afetivas
são inconstantes e inconsistentes nos seus padrões de início e de compensação. Em
oposição, as expressões faciais lingüísticas na ASL são claras, rápidas e específicas em
seus padrões;
(b) músculos faciais individualizados: as expressões afetivas são globais e fazem uso de
um conjunto de músculos faciais, enquanto as expressões faciais gramaticais podem
escolher músculos faciais individuais que nunca são individualizados numa expressão
normal de emoção;
(c) escopo lingüístico: expressões afetivas podem ocorrer tanto antes como depois de
uma produção lingüística e não estão necessariamente associadas a um evento
lingüístico específico. Já as expressões faciais gramaticais estão intimamente ligadas
aos sinais manuais. O escopo da expressão lingüística facial demarca fronteiras
gramaticais pontuais.
(d) obrigatoriedade: as marcas lingüísticas faciais para a função específica a que
pertencem (orações relativas ou condicionais, por exemplo) são requeridas na ASL,
enquanto que a marca manual é opcional.
Sendo assim, o comportamento facial lingüístico na ASL constitui um conjunto
limitado de comportamentos categóricos ou discretos no qual componentes, escopo e
forma são regras governadas e impostas pelos requisitos do sistema lingüístico. Já os
comportamentos faciais afetivos são contínuos, mostrando larga variação ao longo de
todos estes parâmetros.
Serão relatados a seguir, os resultados de dois estudos sobre a produção de
expressões faciais em indivíduos surdos. No primeiro estudo, o interesse dos
pesquisadores era verificar se sinalizantes surdos mostravam assimetrias expressivas
similares em ambas as expressões faciais (lingüísticas e afetivas). Assim, avaliadores
ouvintes, sem familiaridade com língua de sinais, julgaram a expressividade e
intensidade dos dois tipos de expressões faciais através de composição de fotos de
sinalizantes exibindo tais expressões. No segundo estudo, foi examinada a produção de
expressões faciais em sinalizantes surdos lesionados cerebrais, tanto do hemisfério
esquerdo como do direito, para especificar os padrões das funções danificadas.
Em conjunto, estes estudos fornecem evidências de um controle hemisférico
diferente para a produção de expressões faciais em sinalizantes da ASL. Assim, os
dados indicam que para sinalizantes surdos as expressões faciais afetivas parecem ser
primariamente mediadas pelo hemisfério direito, enquanto as expressões faciais
lingüísticas envolvem a mediação do hemisfério esquerdo. Isto representa um resultado
importante, já que um único sistema muscular está envolvido em dois tipos
funcionalmente distintos de expressões faciais. Para as pessoas ouvintes, o hemisfério
direito parece ser o predominante para expressões faciais, mas para indivíduos surdos, a
especialização dos hemisférios é influenciada pelos propósitos a que servem os sinais.
Língua Brasileira de Sinais I Por Ronice Muller de Quadros, Aline Lemos Pizzio e Patrícia Luiza Ferreira Rezende
A questão do movimento nas línguas de sinais
Enquanto as pesquisas de aquisição de língua de sinais por crianças surdas
revelam que as características fundamentais desta língua visual-espacial independem da
modalidade, não podemos deixar de lado o fato de que, apesar disto, há uma diferença
entre línguas faladas e sinalizadas e que o padrão auditivo e o padrão visual entram no
cérebro por canais separados. Assim, POIZER e BELLUGI (1989) fazem a seguinte
pergunta: como, então, estes dois canais aparentemente diferentes para analisar padrões
sensoriais sustentam um sistema lingüístico comum? Para tentar encontrar uma
resposta, eles decidiram estudar as diferenças entre a maneira como sinalizantes e nãosinalizantes
percebiam movimento.
A hipótese dos pesquisadores era de que as experiências de uma língua visualespacial
podiam modificar a percepção dos elementos da linguagem da mesma maneira
que a experiência em uma língua falada modifica a percepção destes elementos. Para
isso, o primeiro passo foi isolar os movimentos dos sinais através de uma adaptação da
técnica desenvolvida para estudar como as pessoas percebiam movimentos do corpo
humano. Assim, eles colocaram nove pontos de luz (um na cabeça, um em cada ombro,
cotovelo, punho e ponta do dedo indicador) no corpo de um sinalizante vestido todo de
preto, fazendo movimentos em uma sala escura, para que fosse possível para
sinalizantes nativos identificar o caráter lingüístico dos movimentos feitos por outro
sinalizante. Com este sistema, seria possível estudar questões básicas sobre a relação
entre percepção de movimento e processamento de informação lingüística. Isto porque o
caráter espacial das línguas de sinais adiciona características à ASL, que possibilitam a
aplicação de vários processos gramaticais simultaneamente, através de movimentos.
Assim, os autores iniciaram sua busca por modificações perceptuais associadas à
experiência com a língua de sinais, utilizando o sistema com pontos de luz em
indivíduos ouvintes que não conheciam língua de sinais e com indivíduos surdos
sinalizantes desde a infância. Com esta técnica, apenas os pontos de luz eram visíveis.
Informações sobre configuração de mão, expressão facial ou outra informação visual
não eram percebidas. Os sujeitos viam os movimentos em grupos de três e deveriam
identificar os dois movimentos que fossem mais similares. Os pesquisadores, então,
aplicavam uma análise matemática complexa aos resultados que os fizessem identificar
certas características dos movimentos, as quais deveriam ser utilizadas pelos indivíduos,
tanto surdos como ouvintes, para distingui-los. Dentre estas características estão: a
direção, a extensão, a repetição e o plano dos movimentos.
Após a análise dos resultados, foram encontradas muitas diferenças entre surdos
e ouvintes no que se refere às características dos movimentos utilizados na avaliação de
similaridade realizada por eles. Entretanto, a maior diferença estava no padrão global
das características dos movimentos que os dois grupos de indivíduos acharam
importantes ao fazerem suas avaliações. As características dos movimentos que se
destacaram para os sujeitos ouvintes refletem uma predisposição natural para olhar os
movimentos humanos, enquanto aquelas que se destacaram para os usuários da ASL
representam um conjunto de efeitos desta predisposição e da experiência lingüística.
As alterações perceptuais, então, parecem ser a conseqüência usual de aquisição
de um sistema lingüístico formal, independentemente do modo de sua transmissão. Os
resultados encontrados pelos autores confirmam a hipótese por eles levantada: de que a
experiência modifica a percepção dos elementos da linguagem de acordo com a
modalidade.
Enquanto as pesquisas de aquisição de língua de sinais por crianças surdas
revelam que as características fundamentais desta língua visual-espacial independem da
modalidade, não podemos deixar de lado o fato de que, apesar disto, há uma diferença
entre línguas faladas e sinalizadas e que o padrão auditivo e o padrão visual entram no
cérebro por canais separados. Assim, POIZER e BELLUGI (1989) fazem a seguinte
pergunta: como, então, estes dois canais aparentemente diferentes para analisar padrões
sensoriais sustentam um sistema lingüístico comum? Para tentar encontrar uma
resposta, eles decidiram estudar as diferenças entre a maneira como sinalizantes e nãosinalizantes
percebiam movimento.
A hipótese dos pesquisadores era de que as experiências de uma língua visualespacial
podiam modificar a percepção dos elementos da linguagem da mesma maneira
que a experiência em uma língua falada modifica a percepção destes elementos. Para
isso, o primeiro passo foi isolar os movimentos dos sinais através de uma adaptação da
técnica desenvolvida para estudar como as pessoas percebiam movimentos do corpo
humano. Assim, eles colocaram nove pontos de luz (um na cabeça, um em cada ombro,
cotovelo, punho e ponta do dedo indicador) no corpo de um sinalizante vestido todo de
preto, fazendo movimentos em uma sala escura, para que fosse possível para
sinalizantes nativos identificar o caráter lingüístico dos movimentos feitos por outro
sinalizante. Com este sistema, seria possível estudar questões básicas sobre a relação
entre percepção de movimento e processamento de informação lingüística. Isto porque o
caráter espacial das línguas de sinais adiciona características à ASL, que possibilitam a
aplicação de vários processos gramaticais simultaneamente, através de movimentos.
Assim, os autores iniciaram sua busca por modificações perceptuais associadas à
experiência com a língua de sinais, utilizando o sistema com pontos de luz em
indivíduos ouvintes que não conheciam língua de sinais e com indivíduos surdos
sinalizantes desde a infância. Com esta técnica, apenas os pontos de luz eram visíveis.
Informações sobre configuração de mão, expressão facial ou outra informação visual
não eram percebidas. Os sujeitos viam os movimentos em grupos de três e deveriam
identificar os dois movimentos que fossem mais similares. Os pesquisadores, então,
aplicavam uma análise matemática complexa aos resultados que os fizessem identificar
certas características dos movimentos, as quais deveriam ser utilizadas pelos indivíduos,
tanto surdos como ouvintes, para distingui-los. Dentre estas características estão: a
direção, a extensão, a repetição e o plano dos movimentos.
Após a análise dos resultados, foram encontradas muitas diferenças entre surdos
e ouvintes no que se refere às características dos movimentos utilizados na avaliação de
similaridade realizada por eles. Entretanto, a maior diferença estava no padrão global
das características dos movimentos que os dois grupos de indivíduos acharam
importantes ao fazerem suas avaliações. As características dos movimentos que se
destacaram para os sujeitos ouvintes refletem uma predisposição natural para olhar os
movimentos humanos, enquanto aquelas que se destacaram para os usuários da ASL
representam um conjunto de efeitos desta predisposição e da experiência lingüística.
As alterações perceptuais, então, parecem ser a conseqüência usual de aquisição
de um sistema lingüístico formal, independentemente do modo de sua transmissão. Os
resultados encontrados pelos autores confirmam a hipótese por eles levantada: de que a
experiência modifica a percepção dos elementos da linguagem de acordo com a
modalidade.
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